É inegável a ideia de que toda e qualquer pessoa tenha uma lembrança especial sobre algum acontecimento; seja ele bom ou ruim, de alguma data que possa vir a ser especial. No mundo onde vivemos, isso passa a se tornar algo natural, mediante a ênfase midiática realizada por todos os meios de comunicação. E quanto mais relevante for a notícia, mais repercussão ela terá. Poderia dar vários exemplos disso que estou a mencionar, e ainda ficaria fatos a serem revistos.
Vou dar meu relato de três datas que, com certeza,
são inesquecíveis e jamais será apagado do nosso imaginário. 1° de Maio de
1994, domingo, circuito de San Marino – Itália. Quem não se lembra do fatídico
acidente que tirou a vida do Ayrton Senna? Eu estava em casa. Sempre gostei de
F1 e naquele domingo havia acordado cedo para poder assistir a corrida. Estava
a chover muito e a fazer muito frio. Quando o acidente aconteceu,
percebi pela voz do Galvão Bueno o desespero e a impressão nítida de que algo
muito grave havia acontecido. E mesmo com pouca idade à época (10 anos), tive a
comprovação da tragédia quando as imagens mostraram uma poça de sangue. Ali eu
tive certeza: só um milagre.
Quando a corrida acabou, a todo o momento o
plantão da Globo invadia a programação para atualizar as notícias sobre o seu
estado de saúde. Por estar sozinho em casa, e somado a isso a apreensão que
tomou conta daquele dia, desligava a televisão todas as vezes que aquela trilha
sonora assustadora invadia minha simples e pequena televisão preta e branca
(sim, sou dessa época). Até que, minutos depois, minha mãe chegou em casa e
aquela sensação de temor foi reduzida. Talvez pelo fato de sua presença
trazer aquele alento natural que só a mãe é capaz de proporcionar ao seu filho.
No início da tarde, o Roberto Cabrini anuncia para todos o seu óbito. Aquele
momento que você tem certeza de que nunca aconteceria e que, de tão absurdo,
parece até uma mentira. Mas era verdade!...
11 de Setembro de 2001, terça-feira, Nova York. O
que parecia inimaginável, que só poderia acontecer em algum filme produzido por
Hollywood, estava a acontecer diante dos olhos do mundo inteiro em tempo real.
Dois aviões invadem o espaço aéreo dos EUA e se jogam contra os prédios do
World Trade Center. No exato momento do atentado, estava no colégio. Naquele
dia, lembro-me de ter um teste de Geografia. E como não tive contato com
ninguém, parecia que nada estava a acontecer naquele dia. Até o momento que
cheguei em casa e encontrei meu irmão em estado de choque, a contar o que tinha
ocorrido. Minha primeira impressão foi não levar muito a sério; por não ter
entendido muito bem o que estava sendo noticiado. Quando “a ficha caiu”... eu
tive a certeza absoluta de que o mundo acabaria exatamente naquele dia. E
pensei comigo mesmo: “Meu Deus! Não plantei uma árvore, não escrevi um livro e
não tive um filho! O mundo não pode acabar! Não hoje!” De fato o mundo não
acabou naquele momento, mas que ele nunca mais foi o mesmo... disso eu não
duvido!
08 de Julho de 2014, terça-feira, estádio
Magalhães Pinto (Mineirão), Belo Horizonte – MG. Até quem não gosta de futebol
sabe muito bem o que aconteceu nesse dia. O famoso e inesquecível dia do “7x1”.
Estava na casa de minha prima e resolvi, naquele dia, assistir pela primeira
vez em minha vida um jogo de Copa do Mundo que não fosse pela Globo. E não
haveria um jogo melhor para ver fora da emissora do “plim-plim” do que esse. 29
minutos, 5x0! Um verdadeiro passeio diante de uma torcida que se deixou levar
pela “empolgação” da detentora oficial dos jogos da Seleção Brasileira e não
conseguia enxergar o que poucas pessoas tinham a real noção do que estava por
acontecer.
Como disse antes, existem várias datas que nos
lembramos com riqueza de detalhes. Mas aí eu faço uma pergunta a você que está
a ler esse texto: e se eu pedir para você lembrar com detalhes de um
acontecimento incrível na sua vida? Algo que não chamou a atenção da sociedade,
que não foi noticiado, que quase ninguém ficou, a saber, mas que você lembra-se
sempre e guarda boas recordações? Essa é a ideia do texto de hoje. Vim lhes
contar de um fato que hoje, 20 de Maio de 2015, está a completar 10 anos.
20 de Maio de 2005, sexta-feira, Rua Jataí –
Bairro Nova Floresta – Belo Horizonte – Minas Gerais, por volta das 20:30 hs.
Nesse dia havia chegado a Belo Horizonte, depois de uma viagem de mais de 20
horas de ônibus. E como é algo absolutamente natural nesses casos, cheguei
bastante cansado e queria descansar. Mas eis que um convite para uma festa
mudaria por completo a história daquele dia. Quando, finalmente, encontrei a
casa da Patrícia, descemos em direção ao barzinho onde a festa estaria a
acontecer. Mas eis que, quando pensei que iríamos, ela disse que uma amiga sua
estaria a chegar e que o pai dela nos levaria a tal festa. Ficamos a esperar e,
minutos depois, eis que chega uma jovem de estatura mediana, de blusa vermelha
e calça branca. Eu estava de camisa preta, calça social marrom e sapato social
preto (isso não muda em nada a história. É tão somente para deixar o texto com
mais detalhes; só isso).
Para quem não conhece Belo Horizonte, é uma
cidade linda (apesar de não ser mineiro, são totalmente suspeito em falar), mas
encravada no meio de serras. Ou você está subindo ou descendo uma ladeira. É
quase que uma regra. Raros são os lugares que são planos. E quando você os
encontra, parece um oásis no meio do deserto. São pequenos e curtos. Quando
termina... ladeira acima, sempre!
Talvez pelo cansaço da viagem, por não ter
descansado da forma como deveria ou sabe-se lá Deus o que houve, eis que um
acidente inesperado acontece. Quando essa jovem chegou e esbocei reação para
apresentar-me a ela, dou-lhe uma bela cabeçada!! Mas não foi assim... qualquer
cabeçada! Foi AQUELA cabeçada, digna de um centroavante em jogo de final de
campeonato. Evidentemente que aquilo foi um imprevisto, jamais ousaria fazer
com alguém, ainda mais com ela, a quem havia acabado de conhecer, literalmente.
E quando eu pensei que ela fosse me xingar, reclamar (com toda razão, caso
viesse a acontecer) ou coisa parecida, depois de inúmeros pedidos de desculpas
que lhe fiz, ela abre um sorrisão enorme, olha pra mim e diz: “Tá tudo bem,
fica tranquilo!”
Ponha-se no meu lugar. Você ficaria tranquilo
depois de causar quase um... traumatismo craniano em alguém (uma vez que eu
tenho mais de 1,90m e peso... melhor deixar isso pra lá), mesmo tendo certeza
de se tratar de um acidente? Claro que não! Mas ali conheci uma das coisas que
admiro até hoje nela: sua simpatia. Ela levou isso de forma bastante tranquila
(pelo menos ela me diz isso até hoje) e fingiu que nada tivesse acontecido. Nem
precisa relatar como foi que eu entrei no carro do seu pai para ir ao barzinho
né? Sentindo-me o pior dos seres humanos. Não dei uma palavra sequer até chegar
ao local, com a exceção de dar boa noite ao seu pai. Chegamos ao local da
festa. Por motivos desconhecidos por mim até hoje, ela retirou-se relativamente
cedo. Talvez tenha sido o fato de ela ter acabado de chegar de Itabira/MG
naquele mesmo dia, há poucos instantes que antecediam ao encontro. Batemos uma
foto com outras pessoas que estavam conosco à mesa.
Durante a nossa conversa, recebi um convite para
fazer uma visita a um asilo no domingo; mais precisamente o IGAP, Instituto
Geriátrico Afonso Pena. Aceitei o convite prontamente, até porque até aquele
momento de minha vida, jamais havia estado em um local como esse e queria viver
essa experiência. Porém, como diz a Lei de Murphy, “não há nada ruim que não
possa piorar.” Dois dias depois da cabeçada, num momento de confraternização
entre os moradores do asilo e as pessoas que ali estavam, lhe piso
generosamente e ardorosamente em seu pé. Mas não foi assim... qualquer pisada!
Foi AQUUEEEELLLAAA pisada, digna daqueles desenhos animados, onde o dedo fica
vermelho de forma instantânea. Ainda traumatizado e a recuperar do ocorrido da
sexta-feira, o mundo se abriu naquele instante. Eu nem soube o que dizer. O que
dizer? Até calado eu estava errado. TOTALMENTE ERRADO! Não havia perdão! Não
para ela. Mais uma vez, ela abriu um sorriso enorme e disse pra mim: “Tá tudo
bem, Digo! Fica em paz!”
Oi!? Como assim ficar em paz? Era impossível e
improvável ficar em paz depois de duas agressões involuntárias e que sabia que
tinha machucado de alguma forma. Mas ela agiu de uma maneira tão natural que,
além de não fazer menção alguma ao fato, ainda me chamou para continuar o que
estávamos a fazer; dançar um forró. Se ainda tinha dúvidas de que era um
péssimo dançarino, nada mais comprovador do que um pisão em alguém para que
essa dúvida possa ser danada de maneira definitiva de sua vida. Minha estada em
Belo Horizonte havia encerrado. Mas não sem antes pegar os seus contatos para
poder entrelaçar ainda mais a relação de amizade, num época em que rede social
se restringia tão somente ao Orkut e ao MSN.
Como a paixão pela cidade foi à primeira vista,
uma segunda visita era mais do que bem vinda. E ela aconteceu no ano seguinte,
em 2006. Ela nem tinha ideia de que estava ali. E quando falei com ela, foi
incrível. Até então nunca tinha telefonado para sua casa. E no dia 07/05/2006,
eu resolvo ligar para lhe fazer uma surpresa. Se tivesse deixado, a conversa
aconteceria durante muito tempo. Só então ela achou estranha e disse-lhe que
estava novamente em BH. Por conta dela, acabei fazendo algo que estava fora dos
meus planos. Fui determinado a passar seis dias. Porém ela passava a semana
fora da cidade, por conta de seu labor. Depois de um pedido dela, carregado de
maneira avassaladora de um sotaque mineiro, resolvi estender minha estada por
alguns dias, tão somente para poder ter o prazer de sua companhia. E isso aconteceu,
no dia 12/05/2006. Desde então, todo e qualquer tipo de contato com ela
acontece de maneira virtual. Bem verdade que os meios de comunicação aumentaram
de maneira considerável nesses 10 anos, mas é indiscutível que a presença
pessoal é muito mais prazerosa e satisfatória.
Falei, falei, falei... e não disse o nome dela.
Pra quem não a conhece, deixe-me dizer o seu nome: Natália Rodrigues Mozelli.
Mas dessa forma, somente em seus documentos pessoais. Não conheço ninguém que a
chame assim, muito menos pelo seu nome de batismo. Pra mim e para todas as
pessoas que estão ao seu redor, ela é tão somente a NAT!
Linda, simpática, inteligente, gente boa demais,
torcedora FERRENHA do Cruzeiro, dona de um sorriso incrível, de um bom gosto
sensacional para tudo (principalmente quando se fala de música) e tantos outros
elogios que poderia estar escritos aqui e nenhum deles seria exagerados para
tratar de alguém tão especial como você, querida! Houve um dado momento em
minha vida em que decidi ter pouquíssimas pessoas a quem poderia chamar de
amigo. Porque entendi que amizade é, acima de tudo, QUALIDADE! E você é prova
cabal de que meu argumento não estava equivocado. Mesmo com mais de 1200 km de
distância você é muito mais próxima do que várias pessoas que podem me encontrar
a todo instante.
Queria muito que essa data chegasse o quanto
antes. Estava por demais ansioso para poder escrever essas palavras pra você.
Lembra do presente que disse que te daria pela passagem dessa data e que só
você teria? Pois é, esse texto é o presente! E sabe aquela história de estar a
fazer seu presente durante muitos dias? Acabei de fazer esse texto; acabou de
“sair do forno.” Para poder falar de você, nada melhor do que o momento exato
da escrita para que as boas lembranças possam vir à mente.
Eu já disse isso pra você várias vezes, mas hoje
quero fazer isso de maneira pública, para que todas as pessoas que possam vir a
ler esse texto saibam e tenham certeza disso que estarei a falar: EU TE AMO
MUITO! Você não tem ideia do quão bem e te quero!
Tenho certeza e fé em Deus de que muitos outros
20/05 hão de vir em nossas vidas! E muitos outros depoimentos serão feitos por
mim em relação a você. Que Ele nos dê vida e saúde para podermos viver esse
tempo!
E como sempre falo contigo... fica bem sempre, se
cuida, que nada de mal te aconteça! Beijo grande “procê!”
#SaudadeSempre



